ICSI em Equinos

ICSI em Equinos

Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI)

A ampla utilização das biotecnologias na indústria equina trouxe, ao longo dos anos, benefícios aos criadores de cavalos de diversas raças. O principal benefício é a possibilidade de aumentar o número de produtos obtidos por ano de animais de genética superior. Em relação à reprodução equina, várias tecnologias se tornaram difundidas e comuns tais como a inseminação artificial, a transferência de embriões e a manipulação de sêmen (refrigeração e congelação).
A transferência de embriões (TE) em equinos tem crescido muito nos últimos anos, sendo Brasil, EUA e Argentina, os países que mais realizam esta biotecnologia no mundo. Inúmeras são as vantagens da utilização da técnica de TE em equinos, porém, quando analisamos as éguas doadoras podemos observar que há uma significativa redução na taxa de recuperação embrionária quando estas apresentam idade avançada ou histórico de problemas reprodutivos.
O manejo de éguas idosas ou com fertilidade reduzida se torna um dos maiores custos da TE e pode ser responsável pelo insucesso na reprodução equina. No entanto, em algumas situações, o cliente deseja descendentes dessas éguas não se importando com o custo, mas simplesmente por acreditar no potencial genético e zootécnico desses animais.
A injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) é uma biotecnologia avançada já muito utilizada na reprodução humana assistida que visa na espécie equina, estabelecer gestações de óvulos recuperados de éguas doadoras que não respondem mais à tradicional técnica de transferência de embriões (TE), conseguindo desta forma contornar problemas reprodutivos adquiridos.
Na ICSI, cada óvulo é injetado com um único espermatozóide oriundo de sêmen fresco ou congelado, e os embriões resultantes são desenvolvidos em laboratório durante aproximadamente uma semana.  Após cultivo in vitro estes embriões são, então, transferidos para uma égua receptora.
Esta biotecnologia é apropriada para as éguas com idade avançada, incapacidade de produzir embriões por problemas crônicos do útero, alterações anatômicas do trato reprodutivo por causa do parto como lacerações do colo do útero, problemas em tuba, ou outros danos ao aparelho reprodutor, que impossibilitem a égua de conceber ou manter a gestação por alguns dias. Outra possibilidade de utilizar a ICSI seria conseguir gestação de uma égua de genética superior que venha a óbito por algum acidente, ou distúrbio gastrointestinal (cólica), entre outras enfermidades. Isto é possível com o envio dos ovários para o laboratório e a partir daí os óvulos são recuperados para realização da ICSI com posterior transferência do embrião ou embriões obtidos in vitro.
O procedimento também pode ser indicado no caso de baixa disponibilidade espermática como no sêmen congelado de baixa qualidade ou sêmen de garanhões que já morreram.

 

Visão geral do processo

Injeção intracitoplasmática de esperma é uma técnica recentemente desenvolvida na qual os óvulos (também denominados de ovócitos) de uma égua doadora são fertilizados em laboratório.
Os ovócitos são recuperados a partir de folículos ovarianos da égua doadora por aspiração guiada por ultrassom e, em seguida são cultivados para induzir a maturação.
Esse processo geralmente leva 12 a 30 horas, dependendo do grau de maturação dos ovócitos recuperados.
Ovócitos maturados são injetados com espermatozóides do garanhão desejado. Para este procedimento, um espermatozóide é injetado no citoplasma de cada ovócito sob um microscópio de alta resolução.
Os ovócitos fertilizados resultantes são cultivados em laboratório, durante aproximadamente 7 dias, para permitir o desenvolvimento de blastocistos, isto é, o estágio adequado para a transferência de embriões para um receptora.
Em éguas doadoras de ovócitos são normalmente removidos de todos os folículos no ovário, uma vez a cada duas ou três semanas, usando uma técnica de ultrassonografia transvaginal com as éguas sob sedação. Ovócitos múltiplos são geralmente obtidos durante cada sessão.

Resultados esperados

Quando a aspiração transvaginal de todos os folículos é realizada, a recuperação esperada de ovócitos é de 40 a 50% dos folículos aspirados. Cerca de 50% dos ovócitos podem maturar em laboratório e serem injetados.
Quando se usa espermatozóide de um garanhão fértil, a taxa de desenvolvimento de blastocisto prevista é de 25%, assim, cerca de 65% de chance de um embrião transferível por sessão de aspiração.
Estas taxas previstas podem diminuir acentuadamente dependendo da idade da égua doadora:
-Éguas velhas têm menor número de folículos, e as taxas de recuperação de ovócitos são mais baixas, bem como a capacidade de maturação in vitro dos mesmos.
- Éguas inférteis: Algumas causas de infertilidade parecem estar relacionadas à má qualidade do ovócito.
- Garanhões subférteis: A taxa de desenvolvimento embrionário após a ICSI é mais baixa com alguns garanhões.

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